segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

RIP - John Barry (1933 – 2011)

A chegada de James Bond ao cinema, em 1962, fez-se sob uma orquestração que contaminou o imaginário 007 para sempre. John Barry, o compositor reconhecido pela marca sonora indelével na mais famosa personagem de Ian Flemming, morreu ontem, aos 77 anos. A autoria do tema inicial foi, no entanto, alvo de muita contestação.




O historial de John Barry inclui, além da controversa entrada de Dr. No, a composição de mais 11 bandas sonoras para os filmes de 007. O trabalho que desenvolveu ajudou a criar a identidade sonora que dá uma força suplementar à personagem de Ian Flemming. No entanto, nenhuma das principais distinções que recebeu ao longo da carreira esteve ligada a esse legado.Barry conquistou cinco Óscares, dois com Uma Leoa Chamada Elsa (1966), e os restantes com The Lion in Winter (1968), África Minha (1985) e Danças com Lobos (1990). Este último deu-lhe o seu único Grammy. The Lion in Winter valeu-lhe ainda um BAFTA (o segundo, em 2009, foi honorário). “Foi bom ter a coisa bondiana muito comercial e ao mesmo tempo ter filmes menores, que foram artisticamente mais interessantes de fazer”, confessou na mesma entrevista.

detalhe


David de Michelangelo, detalhe da mão.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Fala da criada dos Noailles

Hoje fomos ao Teatro da Trindade ver a minha amiga Elsa Galvão que protagoniza a peça "Fala da criada dos Noailles" escrito propositadamente para ela pelo Jorge Silva Melo. Gostei bastante e ela está fantástica!


Elsa Galvão faz de criada dos famosos Noailles, mecenas de muitos artistas, sobretudo surrealistas, como o realizador Luís Buñuel. Uma "paródia inconsequente" sobre os loucos anos 20, pela voz de quem os viveu de perto, no palacete do conde Noailles, na cidade de Hyères.


A criada dos Noailles não é uma intelectual, mas sempre viveu rodeada deles, portanto, olha para esse meio de uma forma simples, despreocupada e nada moralista. Esta peça é uma paródia. No primeiro ato, os Noailles estão à espera de um convidado para jantar, Luís Buñuel, então a criada, enquanto pensa o que preparar, vai contando episódios sobre alguns artistas que conviveram com o conde. Figuras como Picasso, que ela trata por 'tu cá tu lá'. No segundo, continua a falar sobre a sua relação com o conde, a condessa, os seus amigos e algumas paixões. No terceiro, a criada comenta um livro de memórias de Buñuel que tem referências aos Noailles, e vai dizendo se é verdade ou mentira, sem grandes críticas. Na parte final, o conde já morreu, e ela vive com fantasmas de mecenas e artistas que, no fundo, são personalidades que marcaram a modernidade do século XX.


A peça é um monólogo que ela aguenta sozinha em cena com grande garra, ainda por cima porque está sentada numa cadeira o tempo todo. Mas esta economia da encenação permite ao espectador concentrar-se no acting da actriz que está, digamos, brilhante.
Parabéns Elsinha!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Laboratório Chimico da Escola Polytechnica

Esta semana foi tão atribulada que eu e a minha amiga PM não conseguimos ter o nosso almoçinho cultural, mas como na semana passada o almoçinho teve dose dupla, aqui fica a segunda parte. Visitámos o Laboratório Químico do séc. XIX dos Museus da Politécnica. Vale a pena, é uma verdadeira preciosidade e tem aquela magia de viagem no tempo.


O antigo Laboratorio Chimico, como então se escrevia, foi recuperado na sua traça original e aparece agora quase como seria no século XIX, quando foi construído (c. 1857) e reequipado (c. 1880).


É um espaço único em Portugal e na Europa. É um grande laboratório, com bancadas e equipamento próprio para o ensino universitário e para a investigação, é um anfiteatro, onde os professores podiam fazer experiências frente aos alunos, e inclui ainda algumas salas anexas.


Ao entrar nele, entra-se na vanguarda da química europeia do século XIX. E entra-se também num ambiente belíssimo, onde o tempo e a sábia recuperação do lugar e dos equipamentos criaram uma atmosfera arrebatadora. Não há nenhum outro local assim.


Por um conjunto de circunstâncias - umas boas, outras tristes -, o laboratório não sofreu alterações irreparáveis desde a sua fundação até ao último ano do século XX, altura em que os últimos alunos e professores da Faculdade de Ciências deixaram as instalações do vetusto edifício.


O incêndio de 1978, que destruiu grande parte da Faculdade de Ciências, poupou o laboratório, que até 1999 continuava a ser utilizado por alunos e professores. A circunstância infeliz de não se ter procedido, ao longo do século XX, à actualização das instalações e equipamentos transformou-se na circunstância feliz de existir hoje, em Portugal, um sobrevivente quase perfeito de uma época passada.


Passado mais de um século, depois de ter servido muitas gerações de docentes e estudantes, o velho laboratório manteve-se com a traça original, tendo ainda hoje muitos instrumentos e peças de mobiliário originais.


Provavelmente o último grande laboratório do século XIX da Europa – um tesouro a descobrir, totalmente recuperado em 2007.



Museus da Politécnica
Rua da Escola Politécnica 56,58
1269-102 Lisboa
Tel: 213921800

A entrada custa 4€, mas além do Laboratório também dá para ver a exposição sobre os primórdios do cinema em Portugal.

Naked Jake Gyllenhaal ;)



Esta semana estreia o novo filme do Jake "Love and other drugs" de onde são retiradas estas imagens. A não perder :P

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

preciosidade



A Marlene a cantar em brasileiro. Adoro porque ela canta sempre tudo da mesma maneira lol, até aqui consegue essa proeza. a não perder :) lol

outra vida


Primeira grande decepção do ano. O novo filme do Clint Eastwood, de quem sou o maior dos admiradores, não tem ponta por onde se pegue. Esta história da procura da vida depois da morte e da comunicação com o além serve apenas como pretexto para cruzar 3 personagens improváveis. Apesar de ser aparentemente o tema do filme, o argumento nunca desenvolve sequer uma ideia satisfatória, ficando pela mais banal das abordagens.
Em termos de realização, a opção por segmentos (cada personagem tem um) que se cruzam no final é uma ideia estafada e que ele não domina. Há segmentos muito longos, à personagens desaparecem tempo sem fim, a montagem é a coisa com menos ritmo que eu vi ultimamente. Enfim, um verdadeiro desastre. Excepção feita para o pequeno George McLaren que faz os dois gémeos com uma sensibilidade tocante.


Como disse, adoro o Clint Eastwood, o "Million Dolar Baby" é um dos filmes da minha vida, mas até os melhores realizadores têm percalços. Esta é a prova.